Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

Desde a retórica clássica se faz a distinção que a moderna retórica de Perelman retomou e conceituou de forma esclarecedora: toda argumentação busca a adesão de seus ouvintes às teses que defende. Esta adesão pode resultar da convicção ou da persuasão. A retórica trabalha, essencialmente, com a persuasão, mas inclui e vai além, sempre que possível, obtendo o convencimento de seu auditório (que pode ser apenas uma pessoa, como no caso de um juiz singular) através do que se chamam provas técnicas.

Como se sabe, diante de fatos, não há

A escola, para aperfeiçoar seu desempenho e atender às funções que lhe são impostas, procura diagnosticar tudo o que rejeita; busca identificar as causas dos problemas e, se antecipando a eles, adota medidas que considera eficazes. Ainda, em nome disso, a escola realiza intensas investigações da vida dos alunos, convoca as famílias para o ajuste de condutas, promove o falar para, enfim, indicar a solução.

Se a escola fosse apenas isso, diria, então, que ela está imersa num sentimento de suficiência que a faz incapaz de perceber que, ao abrigar as diferenças em um só lugar, pode incorrer na

Desnoções & Algiberias

                Ondjaki

para ser grilo

há que ter algibeiras

onde também caibam silêncios.

ser sorrateiro

espreitando entre dos fios de relva.

saber fazer uma teia invisível

onde o infinito se armadilhe.

encarar o universo com

demasiada intimidade

- a modos que quintal.

saber 

que as estrelas encarecem

de carinho

e brilham para mais desanonimato;

sonetar com roncos de garganta

desminando rebentamentos no coração.

para ser grilo

há que ter desnoções

viver que 

há só uma distanciaçãozinha

entre apalmilhar um quintal

Ao ler hoje a crônica de Ronaldo Cagiano sobre a morte de Nelly Novaes Coelho, e do estarrecedor desbaratamento de seu acervo bibliográfico, juntei-me à desolação e lembrei minha própria desolação. 

Numa viagem a Vitória, a convite do Centro de Educação da UFES, fui ao prédio de Letras da universidade rever amigos. E descubro, feliz, uma homenagem que desconhecia: havia três salas do programa de pós-graduação com os nomes de Ingedore Koch, Sírio Possenti e outra em meu nome.

Tinha eu um acervo em minha antiga casa, de mais de 2.500 volumes. Resolvi doá-lo à

O túnel é sempre um caminho, no escuro sabendo que a luz chegará: sempre há luz no fim do túnel. Na escuridão em que estamos, não se vê luz. E o pior, dia 25 de janeiro querem destruir o túnel, talvez o caminho único para retornamos à democracia! Porque eleição sem Lula não é eleição, é farsa. 

Infelizmente, não há luz. E não haverá caminho. E completando o que querem fazer, não haverá mais nem túnel: quando acordarmos, o país já foi vendido e eles estarão onde sempre quiseram estar: em Miami,

Seja assinante

Cadastre seu e-mail e não perca nenhuma postagem do blog do Geraldi.
captcha 

Apoio Cultural

Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

Desenvolvido e hospedado por

g5559