Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

A gente sempre soube que o ano prometia. Mas a largada já está tão acelerada que poderá faltar fôlego no final do tempo de jogo. Nem precisou chegar o dia 24 de janeiro. A movimentação já não se dá mais nas profundezas das convicções procuradoriais e julgadoras. É a fala de convicção nas superfícies que está fazendo o bar vazar.

Comecemos com o mais impopular presidente da república brasileira, o Sr. Fernando Henrique Cardoso, aquele do apartamento da Av. Foch, de 17 milhões de euros (amealhados, obviamente, com seu salário de professor, como todos sabemos). Iniciou o ano dando a facada da traição a seu candidato e a seu partido: vai apoiar quem conseguir reunir votos. Como Geraldo Alckmin é medíocre em votos nacionais, já sabe: será cristianizado. Não dá nem para saber que emplaca o ano como candidato à presidência.

Luciano Huck, aquele que diz que vai e não vai e volta a ir, pede ao IBOPE que mantenha seu nome nas pesquisas eleitorais: seria a salvação da lavoura que FHC está irrigando. A água que traz, no entanto, vem contaminada pela impopularidade do estadista de Higienópolis (e da Av. Foch, onde convive com ex-ditadores e ricos ostentadores).

E a imprensa começa mostrar com que garras virá à campanha.

Bolsonaro está vivendo seu inferno astral: a FSP resolveu explicar bem desenhadinho o bolsofamília e seus imóveis incompatíveis com ganhos. E mais: trouxe a público que o sujeito se aposentou aos 33 anos!!! Não vai aprovar a Reforma da Previdência? Não. Isso tiraria votos possíveis. Mas é por causa de aposentadorias como a sua que a seguridade social vem sofrendo falta de recursos (além dos desvios destes recursos previstos pela Constituição e requisitados para outros fins, como a despudorada compra de deputados). Vai ser gargalhante ouvir os seguidores defendendo moralidade em apoio a um suspeito de imoralidades, de garantida proteção à família, etc.

O Estadão não quis ficar para trás. Com que intenções terá entrevistado o professor da Universidade de Cambridge, o economista sul-coreano Ha-Joon Chang, já que ele não reza pela cartilha tão acariciada pelo próprio Estadão? Só ingênuos acreditarão que é para mostrar o outro lado, imparcialidade nunca existente na imprensa brasileira. Há segundas intenções e estas se consubstanciam na fritura da candidatura do fantasma da ópera bufa que este governo, Henrique Meirelles! O jornalão publicou tudinho, e reprisou no A Tarde. Da entrevista, retiro as respostas a duas perguntas:

O sr. afirma que é importante para um país ter empresas com alto nível de tecnologia. O Brasil tem hoje a Embraer, que está negociando um acordo com a Boeing. Como o sr. vê isso?

Acho que se deveria tentar manter (o controle da empresa). A Boeing vai tornar a Embraer uma segunda marca, para coisas simples, levar as tecnologias importantes (da Embraer) para os Estados Unidos.

O que o País pode perder com esse negócio?

A habilidade de gerar sua própria tecnologia. Pessoas dizem que empresas nacionais não são mais importantes. Não é verdade. Quando uma empresa alemã compra uma americana, os alemães ficam com a gerência e passam a fazer os trabalhos de desenvolvimento mais importantes na Alemanha. É por isso que compram, para controlar. Não digo que nunca se deve vender as companhias líderes para estrangeiras, algumas vezes é necessário, mas é preciso ter cuidado. A Embraer é a única companhia que compete com Boeing e Airbus, apesar de ser menor. Se for vendida, é muito importante garantir que o Brasil mantenha a capacidade tecnológica.

http://www.tijolaco.com.br/blog/o-coreano-que-cre-mais-no-brasil-que-os-economeiros-daqui/

Ao que tudo indica, não há desunião somente no campo da esquerda – onde se sabe que a unanimidade é burra – mas surpreendentemente na direita!!! Eles estão sem candidato!!! E enquanto não acharem um, ficarão neste joguinho de empurra-empurra. Depois, se amalgamarão de forma inquebrantável para destruir o que sobrar da avalanche golpista. 

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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