Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

Certamente existem aqueles que não tiveram, não têm e nunca terão problemas com as telefônicas que nos des-atendem no Brasil. Principalmente aqueles que venderam o sistema: estão tão ricos que sequer tomam conhecimento do que custa a telefonia para um brasileiro que sobrevive na conjuntura da exploração a que está submetido desde as privatarias.

Antes tínhamos problemas porque as estatais não conseguiam atender a todos, por falta de investimento público em suas empresas: era difícil conseguir um telefone fixo, os cabeamentos precisavam de investimento para aumentar a rede. Em lugar de fazer isso, as arrecadações que as empresas estatais obtinham se perdiam nos escaninhos públicos.

Veio a privatização. Com elogios tantos: chegaríamos ao paraíso! Trariam tecnologia nova (mentira deslavada, a Telefónica espanhola, por exemplo, somente conseguiu estabelecer na Espanha conexão entre os telefones móveis e fixos depois de comprar a CRT (RS): levou a tecnologia desenvolvida aqui para lá). Os custos para o consumidor seriam reduzidos, etc. etc.

Pois não é que em vez de vivermos no paraíso das comunicações, estamos é no inferno. A grande maioria dos brasileiros tem ou teve alguma pendenga com alguma Cia. Telefônica, tenha ela o nome que tiver. Ou por falta de cobertura, ou por constantes interrupções nos serviços (os telefones, de repente, ficam mudos; a internet desaparece). E para além do péssimos serviço, sempre aparecem nas contas algum penduricalho que você não pediu, não contratou e tem uma dificuldade imensa para cancelar!!! Inventam linhas, principalmente de transmissão de dados, usando as informações cadastrais de seus clientes, assim, sem mais nem menos! Estamos numa pendenga com a Vivo porque temos uma linha de transmissão de dados em Porto Alegre, cidade em que nunca residimos!!! E mesmo apelando ao Procon, estamos com dificuldade para cancelar esta maldita linha de algo que nunca usamos na vida.

As cobranças indevidas são constantes. Tão constantes que as telefônicas são as campeãs de queixas no Procon. Qualquer agência de proteção ao consumidor sabe disso. Mas para isso não existe Ministério Público. Nem Receita Federal: quem não recebeu, em torno das 23 horas, em seu celular uma campanha publicitária, lhe dando de graça 100 ligações até a meia noite? Ninguém usa, mas é muito provável que a despesa é lançada como tal na contabilidade, reduzindo o imposto de renda destas empresas. Terá algum auditor da receita dado uma olhada nisso? Não, é mais fácil ficar multando aqueles que pagam imposto de renda sobre os salários...

Este é o paraíso que nos ofereceu e oferece a privataria: serviços péssimos; o telefone mais caro do mundo, seja fixo, seja móvel; a internet mais cara do mundo; e a descarada ladroagem nas contas!

Agora dá para entender a profundidade da afirmação do então ministro das Comunicações, o Sr. Mendonça de Barros, ex-professor universitário, que saiu do governo tão amealhado que criou uma empresa de fundos de investimentos. E ele disse então, quando o governo protegeu Daniel Dantas na privataria das comunicações: “estamos no limite da responsabilidade”. O limite era este: a entrega dos brasileiros à sanha de empresas prestam maus serviços, cobram caríssimo e de quando em vez inventam contas para você pagar. Claro, o Sr. Mendonça de Barros nem sabe que contas telefônicas paga, pois quem tem muito não dá bola para “mixarias”, aquele dinheirinho que faz falta a 90% dos brasileiros, apesar de nosso atual ministro da fazenda achar que dez reais não faltarão para os que vivem do salário mínimo!

Privataria é isso: quem não lembra do apagão que nos fez aprender a economizar energia, mas que depois tivemos que repor em dinheiro puro, na forma de fundo, para compensar as distribuidoras de energia que tiveram “lucros cessantes”, lucros que na venda do patrimônio público foram garantidos pelo governo FHC para que o capitalismo não fosse de risco?    

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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