Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

 

São alarmantes as notícias. Hoje começou o bombardeio a Damasco (Síria) pelas forças armadas norte-americanas, francesas e inglesas! Ontem, fazendo o que repetidamente vem fazendo, Donald Trump atacou a Rússia. Segundo o Sul21:

O republicano também criticou a Rússia e o Irã, fiadores de Assad no poder, e afirmou que as nações devem ser julgadas “pelos amigos que elas mantêm”. Em seguida, Trump elogiou países “amigos”, como os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, que financia rebeldes na Síria, incluindo o grupo radical Jaysh al Islam, e patrocina a guerra no Iêmen.

Ao tomar os amigos da Síria como não “bons amigos”, como amizades que depõem contra uma nação, Trump volta a se defrontar com a Rússia, num bate-boca pela internet, dispensando qualquer diplomacia, como é comum em Trump.

O comentarista português José Goulão (Notícia, Lisboa) recupera os planos de uma guerra – que certamente será rápida dado o tipo de armamento hoje disponível, e ao estilo do bombardeio contínuo feito no Iraque – desde a suposta tentativa de homicídio atribuída à Rússia pelo governo britânico, do agente duplo Skripal e filha e de um suposto ataque com armas químicas na Síria, atribuído imediatamente às forças governamentais sírias.

Ora, segundo a quantidade de veneno que teriam ingerido Skripal e filha, eles não teriam sobrevivido. Nem a Scotland Yard confirmou tal quantidade, e embora o “Trump britânico”, o ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson ter declarado que o veneno era de fabricação russa, o laboratório que analisou a substância disse que era impossível provar que o produto tóxico usado contra o espião reformado fosse de origem russa. Aliás, Skripel e filha estão bem, obrigado.

Quanto ao ataque a Dhoma, com armas químicas, sequer houve investigação... é uma denúncia dos rebeldes! Mas isso é suficiente, como foi suficiente a Bush a alegação de armas nucleares no Iraque, para o bombardeio sobre Damasco que está ocorrendo neste momento. E os serviços secretos russos e sírios informaram que as forças do governo haviam destruído um laboratório de armas químicas dos «rebeldes moderados», isto é, a Al-Qaida.

Tudo está mostrando que mais uma vez se fabricam “fatos” para garantir a elevação da tensão internacional aos limites máximos. Se Rússia e Irã responderem ao ataque, a região conflagrada deixará de ser somente o Oriente Médio! E as tentativas seguidas para esparrar o conflito vem se sucedendo, desde os episódios envolvendo a Ucrânia em que os Estados Unidos empossaram um ditador contra a Rússia, nas barbas da Rússia.

Nossos grandes perigos sempre foram os fanatismos, venham eles de onde vierem. Ao fanatismo islâmico o Ocidente tem respondido com um fanatismo pelo lucro a qualquer preço com o neoliberalismo, cuja capacidade estrondosa de produzir miseráveis está levando ao fanatismo nazi-fascista que pensávamos enterrado. E este fanatismo espalha-se: está inclusive no Brasil de forma assustadora. . 

Trump é, talvez, o maior símbolo do fanatismo: depois que o modelo da globalização tornou os norte-americanos pobres, o fanatismo nacionalista de Trump não esconde seu caráter fascista. 

Uma 3a. Guerra Mundial? Penso que, deixadas de lado as encenações teatrais, continuaremos a ter as guerras localizadas, porque todos os lados sabem que há armas nucleares de um lado e de outro, e não há vontade suicida de qualquer lado. Então continuarão a matar os que eles consideram "descartáveis": por enquanto no Oriente Médio e na África. Quando por lá tiverem feito a "limpeza" se voltarão para a América Latina. Somente daqui a uns 100 anos se voltarão para a Europa então já islâmica. 

Há um romance belíssimo de Susan George - O relatório Lugano - que é paradigmático em relação a estas guerras localizadas!!! Ela é jornalista, mas cria um mundo ficcional interessante: reuniram-se em Lugano (Suíça) os 100 maiores cientistas do mundo para responder a uma só pergunta: “como resolver a finitude dos recursos planetários com uma população acima do sustentável, mantido pelos próximos cem anos o mesmo regime capitalista de produção?” Tratava-se de manter o regime capitalista, de que os financiadores do encontro não abriam mão, mas tratava-se também de reduzir a população a limites toleráveis de exploração da finitude de recursos. Resposta final dos cientistas: deve haver uma redução de no mínimo 2 bilhões de habitantes da Terra, e isto deve ser feito por guerras localizadas...

Como a vida imita a arte, ou esta é o real de um reflexo daquela, estouraram as guerras do Iraque, Afeganistão, etc... depois vieram as “primaveras árabes” orquestradas nos escaninhos da CIA e FBI... e os muitos mortos em função do interesse no petróleo da região!

E assim segue a humanidade: hoje bombardeia a Síria em nome do quê? Da manutenção do mesmo regime que empobrece assustadoramente os homens e enriquece organizações por trás das quais se escondem seres inumanos.

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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