Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

Acompanho com interesse e alegria, como grande parte da esquerda brasileira, o percurso de Lula pelo Brasil, nesta caravana iniciada pelo Nordeste. Como todos os outros, espanto-me com o carinho que lhe dedica a população nordestina, nas grandes e nas pequenas cidades.

Também ri do triste papel da justiça baiana, ao proibir a entrega do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano: a inveja percorre as cortes, como sempre. Triste papel. Aliás, se esta mesma justiça fosse acionada, tentaria retirar-lhe os títulos que recebeu no exterior. Ora, se houve durante os governos petistas uma política

Haiku

Fim das aulas. Seis

horas: na mesma algazarra

pardais e guris.

Com trapos, o rosto

enxuga da chuva a lua:

o lenço de nuvens.

Como um prisioneiro

a lua me espia pelas

grades do banheiro

Pôr-do-sol.

Em resposta o edifício

acende as luzes

(Luiz Bachelar, Satori. Manaus : Ed. Travessia, 1999)  

Tematizando a guerra, o escrito nigeriano Uzodinma Iweala nos faz vê-la pelo olhar de um menino-soldado, Agu, incorporado a um grupo de rebeldes depois que estes destruíram sua aldeia e mataram seu pai. Sua mãe e irmã haviam fugido antes, levada pela ONU como refugiadas. Ele, apesar de criança, sendo o filho homem mais velho, segue a tradição e fica com seu pai esperando a guerra.

A guerra que o leva a se fazer soldado, a ser massacrado por um Comandante pedófilo, e a aprender a massacrar e matar enquanto sonha em encontrar sua mãe e sua irmã, sem abandonar jamais o desejo de ser um dia engenheiro ou médico!

A

Disse-me um dia um marqueteiro que o capital político de uma eleição começa seu processo de evaporação mais ou menos a partir de 8º. mês de gestão. Não tenho a menor ideia se tal afirmação corresponde aos fatos políticos, já que estes têm dinâmicas distintas. No caso, tratava-se da eleição de um reitor e de seu grupo de apoio. E efetivamente começou então a evaporar-se o capital amealhado durante o processo eleitoral: começamos a perder apoios entre alguns segmentos da universidade.

Mas certamente isso não se aplica aos fatos políticos

 “Quem não ama o bem?” Leônidas Andreiev é perspicaz ao iniciar seu conto “ A conversão do Diabo” com esta pergunta. Inoportunamente, poderíamos fazer a pergunta do seu contrário, do seu oposto, assim falaríamos o mundo dialético dialeticamente. A pergunta seria: quem não rejeita, não odeia o mal? Se todos, absolutamente todos os seres humanos, já em idade de juízo, tivéssemos que responder estas perguntas, o que diríamos? Com certeza, diríamos que amamos o bem, quer dizer, glorificamos os bons, os honestos, os justos, os leais, os que dizem e proclamam a

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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