Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

 “Quem não ama o bem?” Leônidas Andreiev é perspicaz ao iniciar seu conto “ A conversão do Diabo” com esta pergunta. Inoportunamente, poderíamos fazer a pergunta do seu contrário, do seu oposto, assim falaríamos o mundo dialético dialeticamente. A pergunta seria: quem não rejeita, não odeia o mal? Se todos, absolutamente todos os seres humanos, já em idade de juízo, tivéssemos que responder estas perguntas, o que diríamos? Com certeza, diríamos que amamos o bem, quer dizer, glorificamos os bons, os honestos, os justos, os leais, os que dizem e proclamam a

Os acontecimentos de Jacarezinho, com seus vários dias de uma verdadeira guerra, com as pessoas estocando alimentos para evitarem ter que sair de casa por não saberem como será o dia de amanhã, na operação que a comunidade já batizou de “Operação Vingança”, é reveladora do esgarçamento a que chegou a sociedade brasileira.

Antes de tudo é preciso dizer que a própria existência de uma favela já resulta da estrutura social brasileira que não conseguiu ao longo do século XX e começos deste século ultrapassar as consequências do regime

Depois dos inúmeros exemplos que nos vem dando o Ministério Público Federal; depois da briguinha interna de poder em que a Polícia e os Procuradores se envolveram, cada um querendo o direito de fechar acordos de delação premiada – obviamente os procuradores, sendo arcanjos próximos aos deuses juízes, se julga no direito exclusivo de para fazer isso, desde que haja convicção; depois da vergonha da recusa de delação de implicado em crimes, de todos os políticos, o mais vendido e mais corruptor Eduardo Cunha; depois de desavergonhadamente um procurador vir a público para dizer que não

Tristeza da rua

A tristeza da rua

vem dos que vêm e que vão

e vão andando.

Dos que não têm aonde ir

e vão andando.

Dos que têm pra onde voltar

e vão voltando.

Dos que voltam sem trazer

o que foram buscar

 

O mendigo

A ALEGRIA que teu corpo dá ao político

que o exibirá contra o governo.

A alegria que o teu olhar para o chão

dá ao pintor que pensa num excelente

   “cabeça de velho”

A alegria que o teu “Deus te pague” dá á velhinha

que vem da missa e debita o Senhor pela sua doação.

Oh a alegria de estarem próximo

para o

O escritor pernambucano Hermilo Borba Filho, falecido em 1976, deixou-nos uma vasta herança literária: foi novelista, romancista, crítico literário, dramaturgo e diretor treatral (foi fundador com Ariano Suassuna e outros do Teatro Popular do Nordeste e depois foi um dos fundadores do Teatro de Arena do Recife). Suas obras não merecem entrar no esquecimento, até porque são representativas do que de melhor se produziu no país em literatura fantástica.

Como nordestino, o autor sempre buscou raízes populares (particularmente no teatro). Trouxe o mundo das histórias e dos causos para a literatura, num estilo bem marcado

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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