Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

Textos de Arquivo XXV: O professor como leitor do texto do aluno

Nota prévia

Publicado no livro Questões de Linguagem (Maria Helena Martins (org). São Pualo, Contexto, 1991), este texto resulta de uma exposição oral no Congresso Brasileiro de Alfabetização, realizado em São Paulo, entre 13 e 15 de setembro de 1990. Na época, havia recém defendido da tese de doutoramento (junho de 1990), de que resultou, sem um dos capítulos da tese, o livro Portos de Passagem (sem o subtítulo que lhe havia dado, que seria Linguagem, trabalho e ensino). Aqui retomo um texto de aluno que também usei na tese, não

Nos últimos dias, a velocidade de acontecimentos inimagináveis no cenário político brasileiro parecem querer causar um torpor ou uma letargia nas pessoas, e assim, ainda sem conseguir reagir sob o efeito de uma pancada, você ganha outra, e outra, e mais outra, e outra até que surrado você e eu, todos nós, vamos às cordas.

No meio dessa luta de rua, sem limites e sem regras, vale tudo. Pelo menos para um dos lados. Essa é a parte boa da lógica da dualidade, correto? Préééé! Errado! Ninguém é só bom ou só ruim, somos cheios de pulsações e ânimos

“Dei um golpe de mestre”. Com cara de vaidade mascarada e em atitude de nobreza de data vencida – fora de moda e de época – Michel Temer, ufanado e orgulhoso, proclama o “golpe de mestre” diante dos holofotes da mídia. Em tom de deboche, diz que as medidas que tomou já produziram resultados positivos junto à opinião pública brasileira. É justa e verdadeira a autorreferência elogiosa – de si mesmo, a si mesmo, por si mesmo – “golpe de mestre”, digna de um golpista talentoso só como ele mesmo. E pior, já por conta do talento brilhante singular, quer ser candidato

Minha primeira análise da Reforma do Ensino Médio foi na direção dos tais itinerários propostos pela nova lei. Cinco possibilidades, zero de infraestrutura para a oferta de qualquer delas, mesmo do itinerário das humanidades, com as inexistentes bibliotecas escolares. Para “as linguagens e suas tecnologias” seriam necessários laboratórios de informática e conexão com a rede, o que, quando há, é precário. Assim, restaria às escolas públicas os famosos acordos permitidos, de modo que a parte diversificada dos tais itinerários pudesse ser feita na forma de estágios

A necessidade contínua de se fazer reformas educacionais cria um ciclo de constantes transformações, de modo que sempre que uma reforma for concluída haverá uma próxima a ser posta em curso. Muitas vezes, isso acontece antes mesmo de terminar a anterior, porque se trata de um processo lento que pretende alcançar todos os níveis escolares. E quando se fala em mudanças na educação, o objetivo recorrente é buscar um ensino de qualidade que contribua para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis. 

No início do século 20, a Nova Escola já propunha uma

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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