Passagens: o blog do Wanderley Geraldi

  Como podemos olhar o mundo em que vivemos – o mundo do qual fazemos parte? Como podemos compartilhar o ângulo de visão com os outros? Começamos pelo ponto de vista local – o posto, a torre de observação é o horizonte da planície extensa ou o pico da montanha mais alta do nosso horizonte – e projetamos o olhar para além do nosso horizonte? E que imagens do mundo vemos em nossas mentes? Imagens de nós mesmos quando nos vemos refletidos no espelho? Imagens quebradas? Imagens líquidas?  Ou imagens de outros? E o mundo que vemos é real, ou mitológico, ou utópico ou ficcional?

A violência simbólica e o arbitrário cultural são da essência da escola e nela persistem. Tudo indica, no entanto, que já não podem ser exercidas com a tranquilidade de alguns anos atrás. E as reações estão aflorando de forma material, quer pela agressão verbal, quer pela agressão física.

Os professores do ensino básico, e particularmente aqueles que ministram aulas no ensino médio, estão habituados a uma violência nada sutil: a chamada indisciplina dos estudantes que praticamente tornam impossível o trabalho com os arbitrários pedagógicos

NOTA DO EDITOR: Antes de falar sobre o horror que novamante aparece em uma escola de Goiânia, cujos fatos são ainda obscuros, posto o texto de Cristina de Araújo sobre o que sequer se tem pensado nas escolas e está na base do problema. Seguiremos abordando o tema sem a exploração sensacionalista da imprensa e sem os conselhos banais de especialistas que sempre surgem de forma fútil e vaga para não abordar o que poderia ser relevante. 

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 “A forma e os estilos da enunciação ocasional são determinados pela

Deslocamento

Poesia desloca a retina

e não 1tem cura.

 

Escultura

Esculpi a palavra

 

retirei os excessos

incl1uí as exceções

aporei as sobras

 

ampliei

os getos 

e o bejijei! 

com um novo

sotaque

 

o que ficou da fotografia

uma fotografia

duas vidas duas faces duas esperanças

duas formas de nascer juntos

entre as pedras do mesmo rio

onde pescavam o futuro

 

renovação

ruazinha estreita

casas geminadas

 

quem passa

sente que o tempo

coroeu o relógio

na parede

 

em dias de rezas

a vizinhança

celebra o inverno

para regar o jardim

plantado

com as flores de plástico

do altar

 

(Socorro

Um Mia Couto é sempre um Mia Couto: de produzir fôlego, paradas e sofreguidão. É um autor que conhece seu ofício como ninguém. E reúne em suas obras, mas particularmente neste Terra Sonâmbula  um misto de realidade e realismo mágico, um olhar europeu da África e um olhar africano sobre os desfazeres europeus colonizadores.

Este romance, um dos mais festejados e reeditados de Mia Couto, tem como estrutura o desenrolar de duas histórias, de dois meninos-rapazes, Muidinga e Kindzu: são dois enredos, duas histórias, personagens distintos que não se entrelaçam, ainda que o leitor desde a

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Sobre o Autor

wanderley João Wanderley Geraldi não precisa ser apresentado; quem ainda não o conheça, certamente o encontrará em sua formação. Mas é necessário dizer que o que aqui se faz é também consequência de sua militância na Educação em nosso país. É de sua obra paradigmática Portos de passagem, centrada na linguagem mas fundamental para a formação de professores e para o trabalho escolar, que pedimos emprestado o nome do Grupo. E é em sua presença com o blog Passagens que encontramos força e coragem, mas também rigor e coerência para os propósitos que temos. Nosso agradecimento e nossa homenagem a este grande linguista brasileiro.

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